QUE EDUCAÇÃO QUEREMOS?

                                                                                                                                                                                                                                Por Luiz Gonzaga da Rocha

Em brevíssimo preambulo quero dizer algo sobre Arnaldo Niskier e das motivações que me induziram a apresentar a crônica“que educação queremos?” De sua autoria.

Arnaldo Niskier é o que podemos chamar de educador preocupado com a qualidade do ensino público, com os padrões da educação, com a formação da geração "y", e com o dilema dos professores em não se colocarem como vetores na vanguarda do processo educacional no Brasil. Arnaldo Niskier, portanto, por este e por tantos outros argumentos, torna-se merecedor do honroso título de "devoto incansável da educação"

Professor, doutor em educação, jornalista, administrador, ensaísta e orador, atual presidente de Centro de Integração Empresa-Escola (IEE-RJ) e membro da Academia Brasileira de Letras, enfoca em suas obras, vastas obras, mesmo as de cunho literário "infanto-juvenil", a educação por princípio, meio e fim. E hoje (06/06/16), ao me deparar com a crônica "Que Educação Queremos?", publicada no jornal Correio Braziliense, não resisti ao chamamento interior e em transcrever a crônica publicada, na íntegra, para levá-la ao conhecimento, análise e avaliação dos seletos leitores que nos visitam, particularmente, aos meus colegas Professores.

E destaco:Não temos um quadro de magistério preparado para os imensos desafios da sociedade do conhecimento. Até mesmo os badalados computadores são utilizados de forma precária, nas salas de aula, pois falta adequado treinamento aos mestres e até, em muitos casos, certa vontade de aderir ao novo.As nossas crianças, nas escolas, não estão aprendendo a pensar. É preciso buscar uma nova forma de ver a educação. Falta um elo importante na cadeia educativa.E nós? Que educação queremos?
Para ao final, com o autor original, concluir: a Educação precisa investir na formação de pensadores. Com a palavra Arnaldo Niskier.

QUE EDUCAÇÃO QUEREMOS?

Por Arnaldo Niskier

O que parece estar evidente, na sociedade brasileira, é o cansaço do atual modelo de educação. Em quantidade e qualidade não responde aos nossos anseios. Veja-se o caso do ensino superior. O sonho oficial, agora, é elevar o número de alunos para 10 milhões, em pouco tempo, e para isso o governo faz um curioso apelo à iniciativa privada, tão maltratado durante muitos anos. Queremos um ensino profissional que siga o modelo das escolas técnicas federais, mas multiplicando muitas vezes. Conseguiremos?

No capítulo da qualidade, onde talvez resida a maior deficiência, não temos um quadro de magistério preparado para os imensos desafios da sociedade do conhecimento. Até mesmo os badalados computadores são utilizados de forma precária, nas salas de aula, pois falta adequado treinamento aos mestres e até, em muitos casos, certa vontade de aderir ao novo, como se isso pudesse sacrificar postos de trabalho. É nesse panorama que, hoje, se abre larga discussão em torno do futuro da educação brasileira.

A economia brasileira está crescendo, é verdade, mas os desafios ainda são imensos. A divulgação de que temos 16,2 milhões de brasileiros vivendo na miséria absoluta (ganham menos de 70 reais por mês) foi um choque na consciência nacional. E nos remete para a discussão sobre o valor da educação.

Foi o que fez o IPEA, ao promover, em Brasília, com apoio da Unesco, o Seminário Internacional Educação e Desenvolvimento, com discussões muito ricas sobre se existe ou não um enlace entre esses dois vetores. Para o senador Christovam Buarque, presente ao encontro, a resposta é afirmativa. Tanto que ele defende a existência de uma nova educação, em que nossos alunos não sejam mais submetidos a somente 115 dias letivos, efetivamente, e que na maioria das escolas haja mais do que as atuais 2h30 de aulas diárias.“É preciso que sejam 6 horas diárias, no mínimo”, disse ele. Logo corrige: “Se aumentarmos a carga horária, porém, não haverá professores disponíveis. ”

O especialista Eduardo Chaves, da Unicamp e do Instituto Ayrton Senna, divergiu do senador e ex-ministro Christovam Buarque: “Educação não é meio para o desenvolvimento, nem o instrumento para a transmissão da herança cultural. Isso a tornaria só instrumental. Ela é mais do que isso”. Com a experiência de toda uma vida dedicada ao magistério (Filosofia da Educação), perguntou de modo claro: “Por que educar?”e “Para que educar?” Concordou com a atual postura da Unesco de que a aprendizagem se faz ao longo da vida e acrescentou: “As atuais mudanças na aprendizagem devem ser maiores, sistêmicas, holísticas, profundas.”

É preciso buscar uma nova forma de ver a educação, pois os alunos de hoje não são os mesmos de antigamente. Eles mudaram muito – e aí está a inclusão digital para nos razão. Recolhemos do escritor Peter Senge a expressão adequada: "Estamos diante da aprendizagem como processo de se tornar capaz. ” É aprendendo que o ser humano se desenvolve. Isso exige ambientes de aprendizagem que apoiem e orientem os desejosos de aprender. A avaliação, hoje tão em voga, não se justifica como obstáculo a esse processo, mas sim como um valioso mecanismo de apoio.

Aqui se inclui também a busca da eficiência. Quando se sabe que 32% do tempo em sala de aula são gastos com chamadas e questões disciplinares, em prejuízo dos conteúdos curriculares, alguma coisa de muito errada acontece no sistema brasileiro. Se não houvesse tamanho desperdício, talvez se pudesse dar aos nossos alunos mais tempo para aprender uma segunda língua estrangeira e mais aulas de computação. Isso evitaria o temido apagão intelectual.

Todas essas considerações nos levam a uma preocupação permanente: as nossas crianças, nas escolas, não estão aprendendo a pensar. É claro que não são todas, mas isso ocorre com boa parte delas, sacrificando, de alguma forma, a existência de um promissor desenvolvimento científico e tecnológico.

Falta um elo importante na cadeia educativa. Sempre recordamos a visita feita à Universidade de Estocolmo, quando ouvimos do seu reitor que um dos três cursos superiores mais importantes da instituição era o de formação de pensadores. E nós? Que educação queremos?

Texto copilado por Luiz Gonzaga Rocha.
Postagem: http://unidosporbrasilia.com.br – 28/06/2016 - LGR

 

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