CUIDAR DE BRASÍLIA - TOLERÂNCIA ZERO ÀS PRÁTICAS E AÇÕES VIOLENTAS NO DF

                   Por Luiz Gonzaga da Rocha

Um artigo do jornalista Leonardo Attuch, e um curioso título: Por que, afinal, o brasileiro não dá descarga? Prendeu minha atenção e despertou um inusitado interesse em discutir o tema, me afastando da minha zona de conforto para o enfrentamento com as palavras e ideias. 

Leonardo Attuch ao considerar que a elite brasileira não tem educação e que a prova sonora foi dada ao mundo inteiro na partida de estreia de seleção, na última quinta-feira (12/06), com o coro "ei, Dilma, VTNC", repetido, dias depois, em Belo Horizonte, na partida entre Colômbia e Grécia, asseverou que “a falta de educação da elite não se restringe aos insultos da ala vip do Itaquerão. Por aqui, o desrespeito ao próximo começa nos gestos mais simples do dia-a-dia.”O articulista concluiu dizendo, que “enquanto a elite sem descarga verbal e sem descarga real não modificar pequenas atitudes, o chamado Primeiro Mundo será uma miragem distante”.

Na condição de leitor posso me manifestar na direção dos argumentos que mais me aprouver e, e ainda que me considere leigo em termos de vaias, tenho comigo o sentimento de que buscar explicações plausíveis para o desacato público à Presidente e à pessoa de Dilma Vana Rousseff no jogo de abertura da Copa do Mundo, não será tarefa fácil. Considero que o fato pode e deve ser configurando como cabal demonstração de desrespeito à Nação, E considero, ademais, a possibilidade de repetição em outros locais, com ou sem a presença da Presidente, e que possa o fato, ainda, acontecer em alguns outros momentos festivo e/ou eleitoral. 

Destarte, jogar a culpa na “elite branca” ou na “elite que pode pagar ingresso e ir aos estádios para os jogos da copa”, não me parece nada plausível. Afirmar que a elite brasileira não tem educação também não me parece admissível. As explicações para a descarga verbal e para os sem descargas nas áreas vips dos estádios, deve ser outra, e devem ser buscadas.E qualquer que possa ser a resposta que venha para se encaixar no contexto, o excesso verbal e a ausência de cuidados essenciais em locais públicos ou privados, precisam ser combatidos, admoestados, reprimidos, até com o uso da força, se for o caso.

Na tentativa de conciliar ideais e princípios, ocorreu-me trazer à consideração um outro texto que foca na necessidade de se ter comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana, que tomara, possa ser ponto de inflexão, um ponto referência fora da curva, para a idealização de um novo cenário para uma sociedade que pretende ser pós-moderna e globalizada. Apresentarei, inicialmente, a “Teoria das Janelas Quebradas”, conclamando para aplicação de políticas públicas de Estado, nos moldes do Programa Tolerância Zero, e o artigo de Leonardo Attuch, a seguir.

A teoria das janelas quebradas ou "brokenwindowstheory" é um modelo norte-americano de política de segurança pública no enfrentamento e combate ao crime, tendo como visão fundamental a desordem como fator de elevação dos índices da criminalidade. Nesse sentido, apregoa tal teoria que, se não forem reprimidos, os pequenos delitos ou contravenções conduzem, inevitavelmente, a condutas criminosas mais graves, em vista do descaso estatal em punir os responsáveis pelos crimes menos graves. Torna-se necessária, então, a efetiva atuação estatal no combate à criminalidade, seja ela a micro criminalidade ou a macro criminalidade.

Passemos aos textos anunciados.

1.Janelas Quebradas: Uma teoria do crime que merece reflexão

Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma interessante experiência de psicologia social. Deixou dois carros idênticos, da mesma marca, modelo e cor, abandonados na rua. Um no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e o outro em Palo Alto, zona rica e tranquila da Califórnia. Dois carros idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultado: o carro abandonado no Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas. As rodas foram roubadas, depois o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, o carro abandonado em Palo Alto manteve-se intacto.

 A experiência não terminou aí. Quando o carro abandonado no Bronx já estava desfeito e o de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto. Resultado: logo a seguir foi desencadeado o mesmo processo ocorrido no Bronx. Roubo, violência e vandalismo reduziram o veículo à mesma situação daquele deixado no bairro pobre. Por que o vidro quebrado na viatura abandonada num bairro supostamente seguro foi capaz de desencadear todo um processo delituoso? Evidentemente, não foi devido à pobreza. Trata-se de algo que tem a ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro quebrado numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de convivência, faz supor que a lei encontra-se ausente, que naquele lugar não existem normas ou regras. Um vidro quebrado induz ao "vale-tudo". Cada novo ataque depredador reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores torna-se incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Baseada nessa experiência e em outras análogas, foi desenvolvida a "Teoria das Janelas Quebradas". Sua conclusão é que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se por alguma razão racha o vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão quebrados todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração, e esse fato parece não importar a ninguém, isso fatalmente será fator de geração de delitos.

Origem da teoria - Essa teoria na verdade começou a ser desenvolvida em 1982, quando o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling, americanos, publicaram um estudo na revista AtlanticMonthly, estabelecendo, pela primeira vez, uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade. Nesse estudo, utilizaram os autores da imagem das janelas quebradas para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se na comunidade, causando a sua decadência e a consequente queda da qualidade de vida. O estudo realizado por esses criminologistas teve por base a experiência dos carros abandonados no Bronx e em Palo Alto.

Em suas conclusões, esses especialistas acreditam que, ampliando a análise situacional, se por exemplo uma janela de uma fábrica ou escritório fosse quebrada e não fosse, incontinenti, consertada, quem por ali passasse e se deparasse com a cena logo iria concluir que ninguém se importava com a situação e que naquela localidade não havia autoridade responsável pela manutenção da ordem.

Da mesma forma, concluem os defensores da teoria, quando são cometidas "pequenas faltas" (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade, passar com o sinal vermelho) e as mesmas não são sancionadas, logo começam as faltas maiores e os delitos cada vez mais graves. Se admitirmos atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando essas crianças se tornarem adultas.

 A Teoria das Janelas Quebradas definiu um novo marco no estudo da criminalidade ao apontar que a relação de causalidade entre a criminalidade e outros fatores sociais, tais como a pobreza ou a "segregação racial" é menos importante do que a relação entre a desordem e a criminalidade. Não seriam somente fatores ambientais (mesológicos) ou pessoais (biológicos) que teriam influência na formação da personalidade criminosa, contrariando os estudos da criminologia clássica.

Há três décadas, a criminalidade em várias áreas e cidades dos EUA – com Nova York no topo da lista – atingia níveis alarmantes, preocupando a população e as autoridades americanas, principalmente os responsáveis pela segurança pública. Nesse diapasão, foi implementada uma Política Criminal de Tolerância Zero, que seguia os fundamentos da "Teoria das Janelas Quebradas".

As autoridades entendiam que, por exemplo, se os parques e outros espaços públicos deteriorados forem progressivamente abandonados pela administração pública e pela maioria dos moradores, esses mesmos espaços serão progressivamente ocupados por delinquentes.

A Teoria das Janelas Quebradas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, que se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento da passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados positivos foram rápidos e evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

 Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Quebradas e na experiência do metrô, deu impulso a uma política mais abrangente de "tolerância zero". A estratégia consistiu em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à lei e às normas de civilidade e convivência urbana. O resultado na prática foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão "tolerância zero" soa, a priori, como uma espécie de solução autoritária e repressiva. Se for aplicada de modo unilateral, pode facilmente ser usada como instrumento opressor pela autoridade fascista de plantão, tal como um ditador ou uma força policial dura. Mas seus defensores afirmam que o seu conceito principal é muito mais a prevenção e a promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, mas sim de impedir a eclosão de processos criminais incontroláveis. O método preconiza claramente que aos abusos de autoridade da polícia e dos governantes também deve-se aplicar a tolerância zero. Ela não pode, em absoluto, restringir-se à massa popular. Não se trata, é preciso frisar, de tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

A tolerância zero e sua base filosófica, a Teoria das Janelas Quebradas, colocou Nova York na lista das metrópoles mundiais mais seguras. Talvez elas possam, também, não apenas explicar o que acontece aqui no Brasil em matéria de corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc., mas tornarem-se instrumento para a criação de uma sociedade melhor e mais segura para todos.

Esse é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja em nosso bairro, na rua, na cidade, Estado e País aonde vivemos. Repita-se: A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras. Esta teoria pode também explica o que acontece aqui no Brasil com a corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, basta que haja vontade pública e de governo.

Pois bem, por que, afinal, essas práticas não acontecem no Brasil e com a nossa gente, com o nosso povo, com a nossa sociedade. Mas antes de uma resposta sua, minha ou deles, vale a leitura do artigo de Leonardo Attuch, que complementado por este texto, tenta demonstrar que o respeito (ou desrespeito) ao próximo começa nos gestos mais simples do dia-a-dia.

2.Por que, afinal, o brasileiro não dá descarga?

POR QUE, AFINAL, O BRASILEIRO NÃO DÁ DESCARGA?

Por Leonardo Attuch

Que a elite brasileira não tem educação já é ponto pacífico. A prova sonora foi dada ao mundo inteiro na partida de estreia de seleção, na última quinta-feira, com o coro "ei, Dilma, VTNC", que se repetiu, dias depois, em Belo Horizonte, na partida entre Colômbia e Grécia.

Não estive na Arena Corinthians nem no Mineirão e já não há mais o que dizer sobre o episódio já excessivamente debatido. "Uma vergonha", como resumiu o empresário Abílio Diniz.

Mas fiz minha estreia em Copas do Mundo neste domingo, em Brasília, no jogo entre Suíça e Equador. Uma experiência fantástica em praticamente todos os aspectos.

A começar pela beleza do novo aeroporto da capital federal, mais bonito e eficiente do que o de cidades como Miami ou Nova York, apenas para citar algumas metrópoles frequentadas por certa elite que transforma terminais aeroportuários em seus fetiches primeiro-mundistas. 

Depois, o acesso facílimo ao estádio Mané Garrinha, sem nenhum tipo de transtorno. Além disso, a alegria contagiante dos mais de 10 mil equatorianos que vieram ao País e se confraternizaram com os suíços, mesmo na derrota. A partida em si, apesar das limitações das equipes, foi, como disse um amigo, um autêntico jogo de Copa do Mundo, com todas as suas emoções – e com direito a uma virada emocionante já nos acréscimos.

Qual foi, então, o único ponto fora da curva? O comportamento do brasileiro naquela que seria a mais simples das iniciativas: apertar o botão da descarga.

Essa reflexão surgiu depois que uma pessoa conhecida me perguntou se a experiência de ontem havia sido "de Primeiro Mundo". No avião, também já havia lido um trecho de uma reportagem numa revista semanal – aquela que previa estádios prontos só em 2038 – que dizia que o Itaquerão era também uma "ilha de Primeiro Mundo, cercada de Brasil". Ou seja: o Brasil como antônimo de Primeiro Mundo e sinônimo de Itaquera, pobreza, gente mulata etc. Dava até para sentir a cara de nojo de quem fez a comparação. A mesma cara que faria se entrasse num banheiro da ala vip de qualquer estádio da Copa.

Assim como no Itaquerão, o Mané Garrincha também foi frequentado pela elite brasileira em sua estreia no Mundial. Mas essa mesma elite que tanto sonha com o "Primeiro Mundo" é incapaz de um gesto tão simples como apertar uma descarga.

Os banheiros do estádio, novíssimos, estavam longe da imagem dos chamados "banheiros de rodoviária". Pisos de qualidade, pias de mármore, louças modernas, papel e sabão à vontade. No intervalo da partida, as pessoas formavam filas e, portanto, era possível perceber o comportamento de quem estava na frente. Nem a ausência de anonimato era suficiente para que as pessoas apertassem o botão, deixassem o espaço limpo para quem viria depois e lavassem as mãos em seguida. Um gesto simples de respeito ao próximo.

O que intriga, nessa experiência, é imaginar por que pessoas que ainda agem de modo tão primitivo sonham tanto com a redenção primeiro-mundista. Será que não precisam mudar antes o próprio comportamento? Por que, afinal, é tão difícil agir num espaço público como agiriam em casa?

Enquanto a elite sem descarga verbal e sem descarga real não modificar pequenas atitudes, o chamado Primeiro Mundo será uma miragem distante.

PS: Recentemente, fiz uma viagem à Suíça e fui a uma pequena cidade turística onde há um banheiro público na entrada. Perguntei a um comerciante como ele era mantido tão limpo. Uma pessoa da comunidade passava ali pelas manhãs apenas para repor produtos como papel e sabão. O resto era com os frequentadores. 

3. Conclusão

Este acréscimo, à guisa de conclusão, poderia ser despiciendo, mas não pretendia encerrar essas considerações sem antes acrescentar que o relato da teoria das janelas quebradas teve como fundamento o livro “Fixing Broken Windows: RestoringOrderandReducing Crime in OurCommunities”, de George L. Kelling e Catherine Coles é um livro de criminologia e sociologia urbana publicado em 1996, sobre crime e estratégias para o conter ou eliminar dos ambientes urbanos. O livro é baseado num artigo com o título "Broken Windows" de James Q. Wilson e George L. Kelling, que surgiu em março de 1982 no TheAtlanticMonthly. A versão traduzida do livro foi lançada no Brasil pela Editora Sextante, com o título de “O ponto da virada: como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença”. 

A dura lição extraída é que se as normas sociais da conduta humana são ignoradas, e assim que algumas barreiras comuns – como respeito à propriedade e senso de civilidade – são rompidas ou reduzidas por sinais que indicam que ninguém mais se importam com elas, a desordem, o lixo, as pichações, as janelas quebradas, os abusos, a criminalidade e o caos se estabelecem, reduzindo a qualidade de vida e de bem-estar social nas comunidades. 

No Distrito Federal, as Autoridades, mais dia menos dia, serão forçadas a agirem com mais ou menos rapidez e eficiência na prevenção e promoção de condições sociais de segurança da sociedade, então, nada justificará permitir que o caos se estabeleça para poder começar a agir. Brasília precisa dizer BASTA a corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo e desrespeitos à lei e aos dos códigos básicos da convivência social humana.

Leonardo Attuch- Jornalista, idealizador do 247 e autor dos livros "Saddam, o amigo do Brasil", "Quebra de contrato", "A CPI que abalou o Brasil" e "Eike: o homem que vendia terrenos na lua"

 

Postagem: www.unidosporbrasília.com.br – 23/06/2014 – LGR

 

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