FILANTROPIA É DEVER

Por Natalie Klein Duek

Apresentação

Depois de muito tempo sem abrir as páginas das Revistas VEJA que semanalmente recebo e entulho, por acaso e despretensiosamente me deparei a folhear a mais recente (Edição nº 2.666 de 25.12.2019) e detive a atenção na leitura do artigo “Filantropia é dever”, de Natalie Klein Duek (pág. 66/67), por entender que o artigo se adapta perfeitamente nos figurinos da Maçonaria, Rotary e Lions, guardadas, por óbvio, as devidas proporções, pois o artigo em comento sinaliza para a ação filantrópica praticada por Samuel Klein, fundador das Casas Bahia e avô da empresária Natalie Klein Duek.

Mais algumas frases e expressões estão a justificar o nosso entendimento de que o artigo pode servir de lastro para a ação filantrópica da Maçonaria, Rotary e Lions, nos exemplos e nas palavras do texto transcrito a seguir. Afinal é preciso entender somos instituições doadoras e que são muitas as pessoas carecedoras da nossa ajuda, algumas pedem outras não, e em diversos setores a nossa atuação se faz necessária e podemos ser úteis a alguém. É fundamental compreender que não podemos (mais) esperar a temporada de frio, o dia das crianças ou o Natal para promover ações em massa.

O estabelecimento de propostas, projetos e metas perenes para prática filantrópica mais além do assistencialismo esporádico e dos pensamentos e interesses em compartilhar bens que transbordarem em nossas vidas (como tempo, dinheiro, conhecimentos ou distribuição de roupas, alimentos ou brinquedos, e demais ações de caridade) que não deixa de ser uma forma de fazer filantropia, contudo, há um enorme campo aberto à frente (como a adoção de uma das 17 metas globais da ONU) e outras formas de se fazer filantropia e demonstrar nosso amor à humanidade. Por isso resolvemos, mesmo sem autorização prévia da autora ou da editora Abril, trazer à consideração o artigo “Filantropia é dever”.


Natalie Klein Duek, empresária de moda, filantropa e neta do fundador das Casas Bahia.

filantropia é dever

“O privilégio de fazer parte de famílias ricas aumenta a obrigação de retribuir. Não podemos esperar, pois somos também responsáveis pelo enorme abismo social existente no país” (Natalie Klein Duek).

Na Infância, lembro de as pessoas me falarem mais sobre Samuel Klein como um homem bom do que como um homem bem-sucedido. Ele levava uma vida de conforto, mas não havia ostentação. Até hoje, tenho a impressão de que meu avô sentia mais prazer em dar do que em ganhar. Ficou também a certeza, para mim, de que a maior inquietação dele, no fim da vida, era saber como a família manteria vivo esse seu legado intangível, a filantropia. Há cinco anos, quando o meu irmão Raphael e eu montamos o Instituto Samuel Klein, o desafio foi trazer um olhar do século XXI para os ensinamentos que transbordaram da vida do fundador das Casas Bahia. Embora tenha construído um negócio de enorme êxito empresarial e demonstrado grande responsabilidade pela sociedade em que vivia, ele não tece acesso ao conhecimento formal – era filho de carpinteiros, deixou a escola na Polônia da 3ª série, em meio à perseguição nazistas, e começou no Brasil como mascate. 

O velho Samuka era puro assistencialismo. Ele se comovia com tudo. Se ocorria um desastre natural, meu avô mandava fogão e geladeira para os desabrigados. Caso os pais não tivessem recursos para arcar com a mensalidade da faculdade do filho, ele garantia o pagamento dos estudos até a formatura. Financiava construção de escolas festa de casamento. Entendia que, se uma pessoa pedia algo, era porque precisava, então não a constrangia solicitando explicações. Apenas dava a ajuda e dizia: “Muito obrigado pela possibilidade de ajudar”.

O primeiro passo para a criação do Instituto Samuel Klein foi entender melhor quais eram as áreas de maior foco e recorrência de ações da feira filantrópica do meu avô, como apelidamos de brincadeira o gigantesco portifólio de investimentos feitos por ele. Descobrimos que a atenção era dirigida principalmente aos seguintes temas: educação, comunidade e cultura judaica. Foi neles que nos concentramos. Priorizamos a continuidade das causas originais, não colocamos as minhas causas pessoais, ou as do meu irmão, na equação. Para não perdermos isso de vista, pusemos a armação dos óculos do meu avô numa caixinha que fica em exposição, com a frase: “Que possamos enxergar o mundo através da sua visão”.

Outra decisão foi nos tornamos grantmakers, ou organizações doadoras, aquelas que portam o próprio capital financeiro para ajudar no processo e desenvolvimento dos projetos existentes. Nunca pensamos em criar ou operar entidades. Hoje somos uma espécie de aceleradora de projetos sociais. Cada um deles fica de dois a quatro anos conosco. Temos um conselho consultivo formado por profissionais com uma perspectiva ampla sobre o assunto. Esse órgão impõe métricas e uma avaliação final de impacto. Dessa forma, preparamos as organizações para que consigam recursos com outros patrocinadores e tenham perenidade. Agregamos sempre instituições matchers – ou pares -, para que em nenhum momento os projetos fiquem 100% dependentes do nosso instituto. O bônus é que obtemos a validação de outras entidades para os programas que apoiamos.

Em 2019, trabalhamos com dezesseis projetos e instituições, dos quais quatro foram de apoio à primeira infância, área para a qual afunilamos a nossa prioridade na educação. Ao longo da caminhada, percebemos que é na faixa de zero a 6 anos que podemos causar mais impacto, pois ´4e nos primeiros anos de vida que a criança desenvolve a sua maior capacidade cognitivas e de sociabilidade. O prêmio Nobel de Economia James Heckman, que esteve neste ano no Brasil, fez uma conta impressionante: cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais de 14 centavos durante toda a sua vida. “É um dos melhores investimentos que se pode fazer – é melhor, mas eficiente e seguro do que apostar no mercado de ação americano”, disse ele em uma entrevista nas Páginas Amarelas de Veja.

Em um país com necessidades prementes, como o Brasil, é difícil concentrar-se em poucos temas, pois todos são urgentes, mas na nossa atuação é necessário ter foco, sob o risco de não fazer diferença de verdade. Assim, quando recebemos um bom projeto com um conteúdo que está fora de nossas prioridades, como saúde ou empoderamento femininos, nós o encaminhamos para instituições que respeitamos nas suas respectivas áreas, com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, a Fundação Bernard van Leer e The Pincus Fund for Jewish Education. Participamos ainda de entidades com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), pois temos a consciência da necessidade de nos juntar para chegar a soluções duradouras. 

A expressão hebraica tsedaká tem a sua raiz na palavra tsedek (justiça). É a ideia de compartilhar tudo o que transborda em nossa vida, como tempo, dinheiro ou conhecimento. Afinal, todos nós temos alguma área que transborda. Em português, é o que chamamos de filantropia. O meu avô nunca falou muito sobre o assunto. Ele fazia mais do que falava, e nós aprendemos isso quase intuitivamente. Mas e levo os meus filhos para conhecer nossos projetos sociais e ajudar no que for preciso e os estimulo a praticar tsedaká. Faço isso porque tenho consciência das adversidades colossais do nosso tempo, para as quais eles deem estar preparados.

No Brasil, os institutos familiares são novos e não têm incentivos fiscais similares aos de países como os Estados Unidos, onde um dos principais exemplos é a Fundação Bill e Melinda Gates, com recursos voltados para áreas como educação e saúde. Apesar das dificuldades, trabalhar com o terceiro setor é uma atividade apaixonante. Sou otimista, pois vejo que existe uma nova geração engajada e atuante em nossa realidade. Um levantamento do Gif emostou que em 2018 foram doados 3,25 bilhões de reais ao terceiro setor no Brasil, 12% desse valor vindo de institutos familiares. Sinto-me na obrigação de provocar, de incomodar mesmo, com o objetivo d fazer com que mais pessoas entrem em ação. É fundamental compreender que não podemos esperar. Somos também responsáveis pelo abismo social existente no país. Ou, como dizia o meu avô: o nosso privilégio é do tamanho da nossa responsabilidade. 

 

 

 

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