DESASTRE À VISTA

DESASTRE À VISTA

Ainda não se passaram seis meses desde a posse do novo governo no Brasil e o povo retoma às ruas nada pacífico em ruidosos protestos. Os ecos das manifestações da quarta-feira 15 de maio vai subir e clamar aos céus por “bom-senso” para os nossos políticos e dirigentes educacionais. As manifestações tomaram conta do País com milhares de professores, alunos e sindicalistas voltados à educação reclamando contra os cortes das verbas das universidades públicas e institutos de ensino superior. Imaginemos o que poderá ocorrer em termos de movimentação em torno de um tema crucial para o governo: a reforma da Previdência. Novas manifestações estão marcadas para o dia 30 de maio e a CUT e demais sindicais brasileiras confirmaram chamamento para um grave geral no dia 14 de junho.

Por outro lado, na mesma quarta-feira, a presença e o discurso do Ministro da Educação na Câmara Federal irritaram parlamentares, e representou, em tese, verdadeiro tiro no calcanhar do governo: arrogância, desrespeito e falta de propostas e argumentos foi a sua marca registrada. E para não deixar os fatos passarem em brancas nuvens, o pronunciamento desproposital do Presidente Bolsonaro, a partir de Dallas, nos Estados Unidos, circulou na contramão dos interesses do Executivo e expôs as contradições orgânicas das suas ideias. Taxar os estudantes de idiotas úteis não combina em nada com a elegância e o respeito que se aguarda das ações e palavras do nosso governante-mor. Em suma, as palavras do Presidente soaram como agressão à toda a sociedade brasileira.

Um chamamento à razão e ao diálogo poderia ter sido a via eleita pelo Presidente da República, pelo Ministro da Educação, pelos Parlamentares, e me parece, ainda, haver espaços para ser a via a ser adotada pelas Universidades e Institutos Federais em face dos contingenciamentos ou cortes de verbas públicas. Neste sentido, me parece ser adequado reproduzir o apelo à razão e ao bom senso que vislumbro no artigo – Libertação pelo Saber – da jornalista Adriana Bernardes. Eis o que escreveu e se encontra publicado no jornal Correio Braziliense do dia 16 de maio de 2019:

O protesto que reuniu milhares de professores, servidores da área de educação e estudantes deixou evidente o descontentamento com a decisão do governo federal de cortar o orçamento da educação. O bloqueio de repasse de recursos para universidades públicas e escolas técnicas, a exemplo dos Institutos Federais, é um prenúncio do desastre que está por vir.

O golpe na educação começou em 2016, quando o Congresso nacional aprovou a PEC 55, convertida em Emenda Constitucional 95, que limita os gastos públicos. Na época, houve um esforço para excluir do congelamento os investimentos em saúde, educação, o que acabou não ocorrendo. Até dá para imaginar o impacto desses cortes em políticas públicas que são essenciais para a sociedade. Mas só saberemos a real dimensão dessa decisão política nos próximos anos, quando milhões de brasileiros terão sido afetados nos seus direitos básicos, assegurados pela Constituição.

A tentativa do presidente da República de desqualificar os protestos de quarta-feira é inútil. Não enriquece o debate e não reduzirá o descontentamento. A reação pode crescer ainda mais, pois parte da população ainda não se deu conta dos impactos desses cortes na vida dos estudantes de todo o país.

Dá para contar nos dedos o número de nações que travam uma cruzada contra o avanço da educação e da ciência – geralmente, regimes totalitários ou teocráticos. Não nos esqueçamos do que realmente importa, acima de partidos ou ideologias. Um país mais justo, com oportunidades para todos, com pleno emprego, vagas para crianças nas creches públicas, escola de qualidade para crianças, jovens e adultos.

O que precisamos como nação é de unidades de ensino que valorizem o livre pensamento; que estejam conectadas com a realidade socioeconômica do público atendido; que desperte no aluno o sentimento de pertencimento e respeito por aquele ambiente; que conduza o estudante a enxergar no ambiente escolar um mundo de possibilidades. Que o futuro do país seja de luz. Que a fase das trevas permaneça nos livros de história para que não nos esqueçamos jamais que a libertação se dá pelo saber.”

Em considerações finais, é isso, uma decepção geral. Negociar é preciso. O governo precisa cumprir o seu papel: governar. O Brasil se encontra à beira do abismo. A economia não deslanchou para os patamares prometidos e/ou desejados; o produto interno bruto em queda; a taxa de desemprego se amplia; o índice de inflação acentua-se em círculos menores, mas não para de crescer. O cenário político se alimentando das crises intestinais do governo e arrastando consigo a opinião pública para o debate tipo me-engana-que-eu-gosto, coloca o governo no centro da crise e nada produz em benefício da sociedade. Num sentido muito limitado diria que a realidade dos fatos é construída pelos seres humanos para os seres humanos, e o descredito que parece tomar conta de setores específicos da sociedade ao se avolumar irá criar muito mais divergências do que concordância. O contrário da sabedoria é a estupidez, cuja manifestação é um risco para uma sociedade em crise.

CapturarLuiz Gonzaga Rocha – Professor Aposentado. Residente em Brasília.

Marcadores: #Educação; #Manifestações 2019 #Políticas públicas #Brasília #Brasil

Postagem: www.unidosporbrasilia.com.br/artigos - 16/05/2019.

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