DE TORNADOS CATARINENSE A ALAGAMENTOS URBANOS DO DF

Por Luiz Gonzaga Rocha

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O artigo do Engenheiro, Arquiteto e Diretor da Open SPACE, Walter Ewoud Van Schaijk, com o título destacado acima, publicado no jornal "Correio Braziliense", de 04 de maio do corrente ano de 2015, não indica nenhum caminho para a solução das inundações que frequentemente ocorrem na capital da república, mas evidencia a cidade não se encontra preparada para os riscos das mudanças climáticas, sejam elas previsíveis ou imprevisíveis.

Contudo, o autor aponta para a necessidade de adoção de novos critérios na concepção da drenagem das águas pluviais no DF, mitigando os efeitos e danos ambientais, sociais e econômicos impostos aos cidadãos brasilienses, evidenciando que enquanto o poder público não investir em obras e no sistema de drenagem pluvial, inundações e enxurradas se repetirão na capital do país.

Indigitadas estas considerações em nome de tantas outras que poderia se mostrarem interessantes e oportunas, quedo-me convencido de que não posso ir mais além, por falta de conhecimento e segurança técnica, assim como não posso afirmar que no DF inexistam programas/processos de gestão de águas pluviais, por se tratar de um complexo conjunto de ações que envolve desde o monitoramento de chuvas e o entendimento do ciclo biológico e do micro-clima regional, a previsão dessas, e o correto destino das águas precipitadas. Mas, não vou me omitir de afirmar que sem políticas públicas para ampliação do sistema de drenagem pluvial, as inundações vão continuar acontecendo, em desfavor de todos.

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O texto é interessante e oportuno, e bem vale a recomendação de atenciosa leitura.

 

DE TORNADOS CATARINENSE A ALAGAMENTOS URBANOS DO DF

Por Walter Ewoud Van Schaijk

Acompanhamos, recentemente, o acontecimento do tornado no oeste catarinense. Casos como esse são previstos, em trabalhos como o do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que divulgou o relatório intitulado "Mudanças climáticas em 2014: impactos, adaptações e vulnerabilidade". O estudo detalha as mudanças climáticas até o momento, os riscos futuros e as oportunidades para uma ação eficaz afim de reduzir riscos. Como vimos, em muitos casos o mundo está mal preparado para os riscos das mudanças climáticas - sejam elas as mais improváveis, como em Santa Catarina, ou até para mais prováveis e visíveis, como os alagamentos urbanos em Brasília.

Devido ao agravamento do efeito estufa, as análises do IPCC apontam para um futuro em que a atmosfera teria temperatura média global superior a do presente, e que os eventos meteorológicos hoje considerados extremos serão mais frequentes. Especificamente no caso da chuva, o cenário para a região Centro-Oeste é de maior índice pluviométrico, com pancadas intensas e rápidas, associadas a tempestade que levam a alagamentos quase instantâneos, alternando com seca altas taxas de evaporação e cerâmicos, com ondas de calor que podem afetar a saúde, a agricultura e a geração de hidroenergia.

Em áreas urbanas, a elevada impermeabilização do solo dificulta a absorção de água, potencializado situações de inundação e deslizamentos de encostas. Estiagens mais prolongadas poderão provocar situações de risco de colapso no abastecimento de água m várias regiões urbanas adensadas.

Antecipando-se às mudanças, a segunda frente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) concentrará investimentos em obras de drenagem, com o objetivo de amenizar os problemas decorrentes do excesso de chuva. Porém, não dá critérios de como a drenagem deve ser projetada.

Um mesmo evento extremo de chuva pode causar maior ou menor impacto dependendo da vulnerabilidade da população, da infraestrutura em questão, da topografia, taxa de impermeabilização, cobertura do solo, capacidade de drenagem e até da manutenção das vias e das galerias de águas pluviais, entre tantos outros fatores.

No Distrito Federal, por exemplo, tradicionalmente, o escoamento das chuvas de áreas urbanas atendidas pelos sistemas de drenagem convencionais acontece efetivamente sem retenção, e quase toda a chuva que cai sobre as superfícies impermeáveis é drenada, resultando numa sobre carga enorme do sistema no caso de um evento extremo. Este conceito de drenagem e o crescimento urbano desordenado no DF estão esticando cada vez mais os limites de vazão das redes de escoamento de água pluvial convencionais. Além do dos alagamentos, as características da gestão da qualidade hídrica num sistema de drenagem convencional são pobres, o que resulta em poluição das águas receptoras.

O impacto ambiental do escoamento tradicional das águas pluviais urbanas é caracterizado pelos altos níveis de sedimentos e outros polui, tanto em partículas, quanto dissolvido, que em conjunto com o volume é a velocidade alta causam inundações e erosão.

Hoje, o conceito de sustentabilidade está cada vez mais bem aceito, o que deveria resultar em afastamento dos tradicionais métodos de drenagem, em prole sistemas urbanos sustentáveis a fim de fornecer benefícios hidráulicos, qualidade da água e ambientais. Sustentabilidade pode ser definida em inúmeras maneiras, mas em termos de drenagem, ela pode ser interpretada como: uso de recursos naturais que podem ser reutilizados e são eficientes, em termos energéticos dos produtos constituintes do processo de construção; replicação das características naturais de escoamento de chuva para todo o local, o chamado fator Campo Verde (Greenfield factor) e, minimização do impacto ambiental do homem.

Aplicando esses conceitos, o escoamento será muito mais lento, além de menos poluído, evitando a sobrecarga do sistema de drenagem. Em sistemas de drenagem urbano sustentável, especialmente componentes que incentivam a infiltração e a retenção, permitem que este princípio poderá ser alcançado.

Para novos desenvolvimentos, recomenda-se adoção de novos critérios na concepção da drenagem sustentável das águas pluviais, tanto para a atenuação, quanto para a redução do escoamento, assim mitigando os efeitos e danos ambientais, sociais e econômicos que ocorreram no verão passado. Assim, poderemos reduzir os impactos dos fenômenos climáticos previsíveis e imprevisíveis.

Sobre autoria e postagem
Autor. Walter Ewoud Van Schaijk. Engenheiro, arquiteto e diretor da Open SPACE, Consultoria em Sustentabilidade.

Postagem: www.unidosporbrasilia.com.br - 11/05/2015 - LGR.

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