NO FUNDO DO MAR

Por Luiz Gonzaga Rocha

brasilaAdmirável o artigo "No Fundo do Mar" da escritora Lya Luft, que reproduzimos para torná-lo público aos amigos e àqueles que não tiveram oportunidade de o ler.

O artigo, a meu entender, é um marco intelectual que nos faz acreditar na existência de um poder maior, um poder que desperta a predisposição em caminhar rumo a novo horizonte político/governamental, e neste sentido, enxergo o papel do Partido dos Trabalhadores, como essencial, para fazer o povo marchar unido- com esperança e com um surdo rancor por ter sido tão facilmente ludibriado pelo marketing eleitoral petista - para as mudanças necessárias e urgentes que a sociedade reclama.

Que Deus, de fato, nos ajude! Mas não podemos deixar de fazer a parte que nos compete no processo de fazer a roda rodar para ceder espaços às novas concepções e arranjos políticos/econômicos/sociais nas funções do governo, lembrando, por oportuno que as mudanças na administração dos negócios do Estado precisa ocorrer em todos os níveis da estrutura estatal - federal, estadual e municipal - dado que todos os níveis de governo atuam em nome do Estado no interesse de bem servir aos cidadãos.

Em “O Manifesto do Partido Comunista”(1848), escrito pelo filósofo e economista político alemão Karl Marx e seu amigo e colega Friedrich Engels, mostra que a sociedade passa por distintos estágios evolutivos, particularmente, quando a lei e as formas de aplicação das políticas públicas são violadas por quem deveria defendê-las. Do outro lado do Atlântico,Henry David Thoreau, filósofo e historiador estadunidense (1817/1862), no texto “A desobediência civil”, de 1848, aceitava com entusiasmo o lema de que "o melhor governo é o que menos governa", pregando abertamente a "desobediência civil" individual, encaminhando a sociedade para o inevitável conflito de interesses (entre eleitores e eleitos) como forma de oposição legítima, frente a um estado de "coisas e situações" consideradas injustas.

E Lya Luft nos faz evoluir na concepção de que o Brasil naufraga, que estamos roçando o fundo do mar de todos os naufrágios e não se divisa uma solução simples que possa mudar o cenário assustador. Cabendo anós, os comuns mortais, nós, o povo, fazer algo. Sim. Fazer algo significa sair às ruas, pelo bem do país, para que ele se torne maior e melhor. Sair às ruas para que o Brasil seja salvo do naufrágio pela manifestação do dia 12 (Lya Luft). Ela comparecerá:

"Se sair a manifestação de 12 de abril, lá estarei, de bengalinha, orgulhosa de poder fazer algo mais concreto, pelo bem deste país do qual minha família fez a sua pátria há 200 anos".

Eis o manifesto da escritora Lya Luft, que a exemplo de Marx, Engels e Thoreau nos impele à atuação política. Marchemos unidos pelo Brasil. Não importa que os primeiros passos e os primeiros atos pareçam pequenos: o que se faz bem feito se faz para sempre.

NO FUNDO DO MAR
(Artigo publicado em edição impressa de VEJA)

Por Lya Luft

unidosO Brasil naufraga. A cada dia a situação brasileira muda – em alguns aspectos geralmente negativos – tão depressa que, quando se pensa num artigo para esta coluna, já as coisas degringolaram ou se confundiram um pouco mais.Portanto, é sempre em parte um tiro no escuro: quem sabe, até sair o texto, mais coisas graves terão acontecido e não consegui, na hora, atualizar? Mas, para isso, a gente que escreve conta com a compreensão do leitor – algo já meio esquisito de pedir, uma vez que nos solicitam “compreensão” para os fatos mais incompreensíveis.

A grande nau com seus 200 milhões de passageiros quase raspa o fundo do mar, onde ficará atolada se não tomarmos medidas. E nós, os comuns mortais, nós, o povo – porque povo não são só os pobres, os miseráveis, os despossuídos, os abandonados pelo governo, os pobres ingênuos iludidos ou os furiosos campesinos que desfilam com bandeiras e camisas vermelhas, ameaçando com foices sem ver os próprios enganos -, o que nós, o povo, repito, podemos fazer?Além de tentarmos levar nossa existência e trabalho da maneira mais decente possível, na dura lida para conseguir pagar as contas e manter uma vida digna para a família, e torcermos para que os que mandam no país tomem as providências salvadoras, pouco podemos fazer, a não ser falar, ler, nos informar, e – isto sim – sair às ruas.

Confesso que no dia 15 de março não participei com meus filhos e amigos, e que me dispensei porque, afinal, a cada duas semanas estou com a cara na janela aqui, para milhões de leitores, muito exposta e muito ativa, sem ter de me apoiar na bengala que nos últimos anos uso para trajetos maiores ou mais cansativos, ou para subir alguns degraus.Mas desta vez prometi a mim mesma, se sair a manifestação de 12 de abril, lá estarei, de bengalinha e tudo, orgulhosa de poder fazer algo mais concreto ainda do que um artigo, pelo bem deste país do qual minha família fez a sua pátria há 200 anos, labutando para que ele se torne maior e melhor.

Tenho escrito especificamente sobre esta nau vítima de tamanho desastre. Tenho pensado nela insistentemente muitas horas do meu dia, e em alguma hora insone de madrugada, quando acordo, como tantos brasileiros, me perguntando: e agora? O que vai suceder, quem vai comandar? Pois estamos, não oficialmente, mas de fato, sem comando, sem experiente timoneiro que nos guie, os marinheiros aturdidos, alguns líderes apenas começando a tomar pulso e a ajudar no leme.

Tomamos consciência do perigo real, e protestamos pacificamente: 2 milhões de pessoas nas ruas do Brasil clamando pelo seu direito a escolas e hospitais públicos decentes, postos de saúde funcionando e dando os remédios básicos, estradas transitáveis; que a economia em redemoinho descendente não trave ainda mais nossa já dura vida cotidiana.

Que não desmoronem mais casinhas e edifícios do Minha Casa Minha Vida, malconstruídos, ou erguidos em locais proibidos, como à beira de uma represa.Que os desperdícios em gastos do governo sejam zerados, que as assombrosas revelações, cada dia comprovadas, sobre roubos gigantescos na Petrobras e outras estatais não desabem sobre a população como um maremoto num país ingovernável e paralisado, onde propagandas enganosas causaram o endividamento impagável de milhares de famílias; que se interrompa e reduza o desemprego, que massacra muito mais pessoas do que se imagina; que se corrijam a humilhação e o isolamento do país no cenário internacional, pela patética atuação no campo diplomático.

Estamos roçando o fundo do mar de todos os naufrágios: não se divisa uma solução simples que possa mudar o cenário assustador. Que a gente não naufrague, mas que uma fórmula quase milagrosa – que não conheço, mas desejo -, legal e eficiente, ponha este grande leme em mãos firmes e competentes, e nos reintroduza nos países civilizados, dando-nos segurança, paz e esperança: pois esta está cada dia mais ralinha.

Que Deus nos ajude!

cleideLya Fett Luft é uma escritora e tradutora brasileira. É colunista da revista semanal Veja e professora da UFRGS aposentada.
Postagem: http://www.unidosporbrasilia.com.br – 05/04/2015 - LGR

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