O FUTURO DE BRASÍLIA EM DEBATE

Por Daniel Ribeiro

Pesquisadores do Ibict e do CNPq se reuniram na capital para apresentar as linhas de pesquisa do projeto Brasília 2060, que busca mapear, relacionar, organizar e sistematizar as deficiências e a vocação de inovar em cada região do Distrito Federal e Entorno.

O planejamento está no DNA da capital federal. Brasília é o sonho projetado e concebido por milhares de brasileiros que pensavam em uma referência de modernidade e beleza. Cinquenta e quatro anos depois, a cidade cresceu, amadureceu e precisa se adaptar à nova realidade. Esse é o intuito do Brasília 2060, um plano de ações que nasceu com a responsabilidade de pensar a capital para as futuras gerações. O resultado efetivo das ações apontadas poderá resultar economicamente no acréscimo de 1,3% ao ano no PIB do DF, o que corresponde a um adicional financeiro de 45%.

Em evento que aconteceu nos dias 8 e 9 de outubro, no AlliaGran Hotel Brasília, Setor Hoteleiro Norte, em Brasília, representantes do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), fizeram um workshop Gestão Estratégica da Ciência, Tecnologia & Inovação do DF. A proposta do workshop era apresentar o projeto, suas perspectivas e promover o debate de ideias, com 34 representantes de diversas áreas produtivas. O Brasília 2060 criou seis áreas temáticas para o processo de experimentação de formulação de políticas, planos, e programas: educação, saúde, segurança pública, ciência tecnologia e inovação, mobilidade urbana e cultura, esporte e lazer.

Para Paulo Egler, professor e coordenador do projeto, a falta de planejamento de Brasília motivou criação de linhas de pesquisa, métodos e os procedimentos. “Como que uma cidade como Brasília, que tem uma natureza de ter sido planejada não possui hoje um sistema de planejamento estruturado, organizado e sistematizado? Hoje, em Brasília, a gente vê exatamente o inverso. Total falta de planejamento na questão do seu território, dos seus recursos. Essas perguntas nos fizeram pensar os próximos 50 anos”, afirma Egler.

Brasília 2060 tem três objetivos primordiais: sustentabilidade, sistematização de informações e o território a ser desenvolvido. “Vamos trabalhar em cima de um método que busca a integração de diferentes dimensões de forma integrada, como, por exemplo: a econômica, a social, a ambiental, a institucional. Pode separar tudo, para organizar os conceitos, mas desde que volte a integrar. E pensar essas quatro dimensões de forma integrada e articulada. Outra questão importante é a disponibilidade de informações organizadas que não obriguem a ficar pesquisando por novos dados e sim ter sistemas que organizem, sistematizem essas informações para serem usadas quando necessário”, explica.

Cada área vai obedecer um esquema de trabalho, de acordo com a realidade de cada localidade. Tanto as regiões administrativas do DF quanto os municípios do Entorno. O projeto pretende fazer um cruzamento de informações oficiais com dados atuais. Dessa maneira, pesquisadores pretendem mapear as deficiências para estimular o desenvolvimento. “Ninguém melhor que o próprio cidadão para saber melhor os problemas e como a realidade funciona. Isso é básico. Como o projeto tem uma vertente política, voltado para a área pública, nem sempre tem um governo que está aberto ao diálogo. Vamos buscar um envolvimento maior da sociedade, de forma ampliada, para saber quais são suas demandas e aspirações da população”, conta Paulo Egler.

Para o professor doutor do CNPq, Geraldo Nunes, é importante desvencilhar ciência, tecnologia e inovação de acadêmicos, universidades e grandes empresas e trazer benefícios para a sociedade. “É incompreensível e até inexplicável que Brasília não tenha, por exemplo, um mapa de controle dos ônibus em que uma pessoa que chegue em um ponto de ônibus possa saber que horas aquele ônibus chega ali. Eu vi isso em 1999 em Berlim, na Alemanha, você chegava ao ponto de ônibus e sabendo a hora que o coletivo passava. Não é possível que não se tenha conhecimento para agregar isso. É importante dar uma satisfação ao cidadão”, analisa.

Nunes afirma que a tecnologia pode ajudara marcação de consultas, diminuindo as filas e o mal atendimento em clínicas e hospitais. “Na área da saúde, com inúmeras tecnologias assistidas, não com tecnologia de atendimento ao indivíduo, mas atendimento à população, questão da organização do sistema de saúde, que possa atender o cidadão de forma mais humana. Não é essa coisa que a gente vê no dia a dia fazendo fila, quando você tem sistemas dedicados para fazer marcação de consultas via internet,via telefone, dentre outros”, ressalta o professor.

Novas regiões

Em junho, o governador Agnelo Queiroz, disse, durante a apresentação do Plano Estratégico e Estrutural para os próximos 50 anos, Brasília 2060, que novas regiões criarão amplas oportunidades de emprego fora do Plano Piloto e serão capazes de acomodar uma população adicional de 4,5 milhões de pessoas. A previsão é que até 2060 sejam investidos R$ 235 bilhões nessas áreas de expansão com a geração de 790 mil empregos. Na ocasião, as novas regiões de crescimento que estabelecerão desenvolvimento regional integrado, completo e com facilidades abrangentes para os cidadãos. São elas: cidade aeroportuária, programada para ser instalada nas proximidades de Planaltina; o centro financeiro internacional, próximo a São Sebastião; como também a ampliação do Polo JK, em Santa Maria, saída para Luziânia.

Cidade Digital: à espera de investimentos

Desde 1999, quando a ideia nasceu, a condução do projeto engatinha. A capital do país perde investimentos bilionários e abre mão de 20 mil empregos diretos e outros 60 mil indiretos. Em setembro do ano passado, o GDF apresentou a representantes da UnitecBlue, empresa argentina de nanotecnologia, o Parque Tecnológico Capital Digital com o objetivo de mostrar os diferenciais da cidade para a provável instalação da primeira fábrica de chips eletrônicos no país. Na ocasião, o diretor comercial da UnitecBlue, HoracioHuergo, disse ao Blog do Callado que as condições de mercado no Brasil estavam mais favoráveis do que na Argentina. “Precisamos do apoio do governo em curto, médio e longo prazos para elaborar um plano de negócios e entender o alcance do nosso empreendimento”. No entanto, os investimentos dependem de esforços que vão além da competência.

O projeto Brasília 2060 tem como objetivo identificar e sugerir novos caminhos para impulsionar a região. Segundo Geraldo Nunes, Brasília tem um potencial muito grande no ponto de vista de competências das universidades, estudos, pesquisas e no financiamento mas peca na administração. “Houve uma falta de elementos, no meu entender, que não estão relacionados diretamente com a questão da TI, mas estão relacionados que fazem parte do processo como créditos, desburocratização e uma porção de coisas que precisam ser agregadas a ela poder não amarrar. Não é só o espaço físico e a competência. É uma série de outros elementos no ambiente e são decisões políticas que estão relacionadas com estabelecimento de empresas: taxação, desburocratização, incentivos que permitissem que as pessoas tivessem um impulso de fazer um empreendimento. A competência existe, agora está faltando um ambiente favorável que forneça os elementos que impulsionem alavancar os projetos”, finaliza.

Fonte: Redação Jornal da Comunidade - O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Postagem: www.unidosporbrasilia.com.br – 15/10/2014 – LGR.

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