G.A.D.U. Soberano Grão-Mestre Geral da Maçonaria Universal

Luiz Gonzaga Rocha∗

GADU 

Você deve estar se perguntando como posso pretender elevar as letras G A D U à condição de Soberano Grão-Mestre Geral da Maçonaria Universal e Arquiteto dos Templos Maçônicos. Devo responder dizendo que não vejo nenhum problema, particularmente, considerando as letras como iniciais do nome inefável do Senhor dos Mundos. G A D U ou G.A.D.U., significa, literalmente, Grande Arquiteto do Universo, uma forma genérica para denominar Deus no universo maçônico, dado que homens de várias nacionalidades e religiões participam da Maçonaria, ou seja, uma fórmula ecumênica que atende a todos na comunhão de homens livres e de bons costumes sem ferir susceptibilidades. Esse conceito maçônico de Deus como o Grande Arquiteto do Universo não é novo nem originário na Ordem. O termo tem sido empregado nas religiões e seitas cristãs, e as Ilustrações de Deus como Arquiteto do Universo são representados nas Bíblias desde a Idade Média, sendo regularmente empregadas pelos apologistas cristãos.

No passado, São Tomás de Aquino (1225-1274), Doutor da Igreja, Príncipe da Escolástica, filósofo e padre italiano da Idade Média, sustentou que existe um Grande Arquiteto do Universo, que reconheceu como sendo a Primeira Causa ou Causa Eficiente e que essa Primeira Causa é Deus. Calvino (1509-1564) também usou o nome de “O Arquiteto do Universo” para se referir a Deus, e em seu Instituto da Religião Cristã (publicado em 1536), chamando repetidas vezes, o Deus cristão de “O Arquiteto do Universo”, e ele também se refere aos seus próprios trabalhos como “Arquitetura de Universo”, e em seu comentário sobre o Salmo 19 (na Bíblia católica Salmo 18), refere-se a Deus como o “Grande Arquiteto” e “Arquiteto do Universo”. Outras Ordens Iniciáticas, a exemplo da Ordem Rosa-cruz, utilizam o termo Grande Arquiteto do Universo ou Arquiteto do Universo para nominar Deus, e assim resumir homenagens ao “Símbolo da Grande Evolução”.

Se observamos bem, seremos forçados a concluir que nos Rituais Maçônicos a expressão G.A.D.U. aparece com um elevado nível de frequência e em situações as mais inusitadas, sendo utilizada ene vezes, para “abrir” e “fechar” os trabalhos das lojas maçônicas. Essa constatação indica que as lojas trabalham para a Glória do Grande Arquiteto do Universo. Então, consagrar a expressão GADU e elevá-la à condição de Soberano Grão-Mestre Geral da Maçonaria Universal e Arquiteto dos Mestres do Templo não nos parece despropositada. Segundo Nicola Aslan, em todos os Ritos a exceção feita do Rito Moderno, que, por escrúpulo de tolerância e em nome da mais absoluta liberdade de consciência, se recusa a toda afirmação dogmática, o maçom é obrigado a afirmar solenemente, no momento de sua iniciação, a crença em Deus (ASLAN, 1974).

Verdade é que o distintivo A.G.D.G.A.D.U. ou G.A.D.U. é usada pelos maçons para reverenciar o SER SUPREMO, o Autor e Ordenador de Tudo e de Todas as Coisas, demonstrando que os Maçons são beneficiados pela simples reverência ao nome de Deus. A preciosidade da Quarta Instrução do Aprendiz, ao relacionar como deveres do Maçom: honrar e venerar o G.A.D.U. a quem agradece sempre, as boas ações que pratica para com o próximo e os bens que lhe couberem em partilha, isto, antes do dever de tratar os homens sem distinção de classe e de raça, como seus iguais e irmãos; e antes do dever de combater a ambição, o orgulho, o erro e os preconceitos; e do dever de lutar contra a ignorância, a mentira, o fanatismo e a superstição; não minimiza os demais deveres, apenas atesta o entendimento de distinção maçônica ao culto do G. A. D. U.

A denominação Deus, é uma das múltiplas concepções de divindade, um conceito denotativo do Ser Supremo presente nas religiões (monoteístas, henoteístas e politeístas), usualmente definido como o espírito infinito e eterno, criador e preservador do Universo. Nas religiões monoteístas originárias do Oriente Médio (cristianismo, judaísmo, islamismo, sikhismo e a fé bahá'í), sem adentrar no mérito das religiões originárias da Índia (hinduísmo e budismo) e da China (confucionismo e taoísmo), a palavra “Deus” refere-se à ideia de um ser supremo, infinito, perfeito, criador do universo, a causa primária e o fim de todas as coisas. A razão de ser de todas as coisas.

A ideia supra sensorial de “Deus” pode ser concebida como entidade pessoal ou impessoal. No pensamento monoteísta, Deus é o Ser Supremo e principal foco de fé. No teísmo, Deus é o criador e sustentador do Universo, enquanto no deísmo, Deus é o criador, mas não o sustentador do Universo. No panteísmo, Deus é o próprio Universo. No ateísmo, Deus não existe, enquanto é considerado incognoscível no contexto do agnosticismo. Deus também foi concebido como a fonte de todas as obrigações morais e muitos filósofos e pensadores desenvolveram argumentos a favor e contra a existência de Deus, mas, nenhum deles, a exemplo de Auguste Comte, Littré, Voltaire, Tobias Barreto, Spinoza, Spencer, Durkheim, Platão, Aristóteles, Descartes, Victor Hugo, Jean Meslier, Sertillanges, Xenofonte, Nietzsche, Hegel, Max Müller, Freud e Jung, antes da crítica, partiram de um ponto exclusivo: o reconhecimento da Existência de Deus.

01As muitas concepções diferentes de Deus e as reivindicações recorrentes quanto às suas características (pessoal ou impessoal), objetivos e ações levaram ao desenvolvimento de ideias do Pandeísmo e do Panenteísmo, ou seja, de correntes
filosóficas que postulam a existência de uma verdade teológica subjacente, ou seja, a afirmação concomitante de que Deus precede o Universo, sendo o seu Criador; e de que Deus é maior do que o Universo, estando o Universo contido em Deus. O Pandeísmo e o Panenteísmo parecem caminhar numa mesma direção e os seus seguidores adoram um mesmo Deus através de conceitos diferentes que se sobrepõem com imagens mentais diferentes de Deus.

A presença do G.A.D.U. na Maçonaria é muito mais evidente do que o laicismo estruturado permite e as fórmulas habituais de reverenciamento demonstram, eis que, nas linhas mais tênues e nos padrões dos juramentos maçônicos mais dissimulados, como no formato verbal: que a minha garganta seja cortada, a minha língua arrancada; meu corpo esquartejado e enterrado nas áreas onde o mar faz fluxo e refluxo; e que o meu coração seja arrancado do meu peito – são, a exemplo de tantos outros, juramentos maçônicos proferidos sem evasão, reserva mental ou equívocos, são juramentos proferidos em nome e à glória do G.A.D.U., do Altíssimo e do eterno Deus, do Grande Arquiteto e do Governador do Universo, ou estaria labutando em equívoco? Quero crer, e creio, que a universalidade de Deus permite a afirmação: Deus é o Eterno, Imutável, Imaterial, Único, Onipotente, Altíssimo e, soberanamente, Supremo Arquiteto do Universo, é o Deus por excelência dos Maçons, ao tempo em que repudiou afirmações de que o termo G.A.D.U., sirva apenas para representar qualquer Ser Supremo.

Para o bem do entendimento linear, o culto ou o não-culto maçônico rendido pela Maçonaria ao Grande Arquiteto do Universo ou supremo Arquiteto do Universo é de uma sutileza tal que passa, quase por completo, desapercebido ao universo dos maçons no seu dia a dia e nos labores das sessões ritualísticas. A presença do G.A.D.U., nos Rituais Maçônicos pode ser simbolizado como uma cadeia de montanhas e os nossos olhos só enxergam o que se encontra diante do campo de visão, e por mais que tentemos visualizar tudo, contornar ou escalar, o nosso campo de visão permanece restrito ao horizonte que possamos descortinar, ou seja, tomando por referência um ponto qualquer da cadeia de montanha, por não dispomos de visão 360 graus, impossível captar a totalidade da imagem da montanha ou do ambiente ao seu redor (exceto se a crista da montanha seja aplainada), raciocinando inversamente, cada um só poderá ter a vista da montanha que lograr alcançar no seu campo visual. Assim, só enxerga Deus como Arquiteto dos Templos Maçônicos ou como Soberano Grão-Mestre Geral da Maçonaria Universal quem se esforçar para tal, aplainar ou ampliar o seu campo de visão espiritual.

Muito bem, alcançamos o patamar a partir do qual a questão se interioriza no universo particular de cada um, que comporta personalizar ou despersonalizar, individualmente, Deus e responder se Deus é o Grande Mestre e o Símbolo Perfeito da Maçonaria. Se for Verdade que Deus seja o Grande Mestre; o Símbolo Perfeito da Maçonaria; o Soberano Grão-Mestre Geral da Maçonaria Universal! Quem detém o segredo dessa verdade revelada: Os Grão-Mestres? Os Veneráveis Mestres? Os Irmãos? E se não for verdade! De onde se abstrai tal conhecimento do Rex Deus no contexto dos Rituais Maçônicos. Como explicar as múltiplas alusões ao termo G.A.D.U? Contar por contar, não vale! Digo eu, que já o disse, em um poema escrito em XV-VI-MMII, que “Eu Sou Deus” e que, agora, aproveito o ensejo para complementar: Ghoro Gnothi Seamtou, ou seja, “conhece-te a ti mesmo”, e caminha para os planos superiores.

Evocando o nome do Gr. Arq. do Un., antes de concluir, cabe apontar que os nomes de Deus somente são contáveis em sucessivas dezenas de religião para religião, de grupos humanos para grupos humanos, de estado-nação para estado-nação, prevalecendo no meio maçônico, além de Grande Arquiteto do Universo e de Supremo Arquiteto do Universo ou Senhor e Arquiteto dos Mundos, os títulos e expressões de O Alfa e o Ômega, Javé, Jeová, Elohim, Adonai, YHWH e YAHWEH.

E agora sim, para finalizar, vale tentar trazer à baila e tentar decifrar a expressão “Oh! Senhor Meu Deus” proferida pelos M. M. Inicialmente, podemos apontar que a expressão pode ter o sentido de “Deus Seja Convosco” expondo que Deus esteja dos dois lados, com a pessoa que evoca e com a pessoa a quem é dirigida a evocação, dado que assim como em Cima é em Baixo, com o Alto e com o Baixo. E cada vez que o M. M. pronuncia “Oh! Senhor meu Deus”, a substância única da qual Deus plasmou o céu e a terra, se põe em movimento, acreditem ou não, pois a ação e a vibração – a causa primeira – independem da crença particular para se pôr em movimento. Também podemos apontar que a expressão pode ter o sentido de “Santo é o Teu Nome”; “Em Ti encontro segurança” em profissão de fé comovedora, ou apontar, simplesmente, para rememorar a dor pela morte de Hiram e ou chorar pela palavra perdida.

Tendo chegado a este ponto de definição, o que, afinal, buscamos fora dos Decretos do Grande Arquiteto do Universo, senão a Hermenêutica do Ser, o Elo Interior pelo qual chegamos a Saber. Penso ser isso o que buscamos e o que encontraremos no final da caminhada maçônica. Isto faz parte do esquema do Logos. Quero dizer: Isto faz parte da inteligência ativa, transformadora e ordenadora de Deus em sua ação sobre a realidade.


Sr. Luiz ∗Luiz Gonzaga da Rocha (LGR) – Escritor. Radicado em Brasília. Coordenador do Curso de Pós-Graduação em História da Maçonaria/Unyleya.
  Marcadores: #Filosofia. #Maçonaria. #Esoterismo. #Deus. #GADU.
  Postagem: www.unidosporbrasilia.com.br/aprendiz - 25/10/2018.

 

 

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