ANDERSON: Um Mestre Maçom Injustiçado

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Notarialmente, não écrível como se escreveu tão pouco sobre o Venerável Irmão James Anderson – Um dos Pais da Maçonaria Moderna – e temos que, afirmar, com sentimento de pesar, que excluindo os registros a propósito das Constituições Maçônicas por ele confeccionadas,não passaria de um anônimo maçom ou um obscuro escritor.

Sobre James Anderson, escritor, o Irmão Kurt Prober[i], assentado no seu vasto acervo e nos seus amplos conhecimentos sobre a Maçonaria e os Maçons, aponta que no ano de 1732, Anderson traduziu para o inglês as “Táboas Genealógicas” do historiador e geógrafo alemão “Hans Hubner”, obra que chegou a reeditar em 1736 de forma revista e ampliada. No ano seguinte, publicou o livro “A Unidade na Trindade e a Trindade na Unidade”. Em 1739 editou o livro “Notícias de Elysium” e “Conversas com os Mortos”. Em 1742, surgiu a obra póstuma “Historia genealógica da Casa Nobre de Ivery”, uma antiga estirpe irlandesa, cujo membro vivo na ocasião era o Conde de Egmont. Mas, incontestavelmente a obra mais importante de Anderson foi a conhecida “Constituição Maçônica, de Anderson”, que publicou às suas expensas no ano de 1723, época em que era Venerável da Loja nº 17.

Transcrevo Guy Chassagnard, autor do texto “MiscellaneaMacionica: Quem foi, na verdade, o Reverendo e Maçom James Anderson? ”,com tradução de José Filardo.

“Nada predispunha o Reverendo James Anderson (1679-1739) a se tornar o mais famoso entre os maçons modernos; especialmente não a publicação de 1732 de sua obra-prima: Genealogias reais, ou Tabelas genealógicas de imperadores, reis e príncipes, desde Adão até os dias atuais. Mas o acaso quis que ele iria um dia escrever as “Constituições” de uma associação que, no entanto, tinha muito poucos membros.

Nascido em Aberdeen de um pai vidraceiro (e Maçom aceito na loja operativa local) James Anderson fez os estudos necessários para a ordenação na Igreja da Escócia; mas foi em uma velha paroquia huguenote, em Londres, que ele se tornou, na década de 1710, um pastor presbiteriano. Não está claro até hoje, se em 1717 ele foi um dos maçons aceitos que contribuíram para a formação da Grande Loja de Londres; temos, por vezes, sugerindo que ele poderia ter sido iniciado na Escócia, antes de mudar para Londres.

O caminho para a fama, no entanto, abriu-se para ele em setembro de 1721, quando, durante uma assembleia geral realizada na presença de oficiais e membros de dezesseis lojas “erros foram revelados nas antigas Constituições Góticas”, ele foi convidado a “realizar as correções necessárias em uma nova e melhor apresentação”. Três meses depois, quatorze irmãos “educados” foram nomeados para examinar o manuscrito do Irmão Anderson.

Em 25 de março de 1722, durante uma nova sessão da Grande Loja, a História, os Deveres, os Regulamentos e os Cantos de Mestre foram aprovadas com algumas alterações “ao que a [Grande] Loja pediu ao Grão-Mestre que mandasse imprimir”.

Assim, em 17 de janeiro de 1723, na Taverna King’sArms, dois eventos memoráveis aconteceram: a adesão de Philip, primeiro duque de Wharton ao grão-mestrado de Londres e a apresentação do novo Livro das Constituições.

Note-se que neste mesmo 17 de janeiro de 1723, James Anderson, que havia anteriormente ocupado as funções de Mestre de Loja foi nomeado para o ano em curso Grande Vigilante da Grande Loja de Londres.

(...)

A vida maçônica de James Anderson, no entanto, permanece obscura até hoje. Ignora-se quais atividades específicas ele pode implantar, quais lojas ele pode implantar, quais lojas ele pode frequentar; registra-se que pertencia em 1723 à Loja do Chifre, e em 1735 da Loja francesa, e sua presença em algumas assembleias de Grande Loja, mas isso é tudo...”(CHASSAGNARD[ii]).

E de fato, tudo induz a crer que James Anderson (Escócia 1679-Londres 1739) somente se tornouconhecido por sua associação com a Maçonaria, e hoje, mesmo na era da internet, com todos os seus aparatos tecnológicos e milhares de pessoas contribuindo para a Grande Enciclopédia Virtual chamada Wikipédia, continua sendo “muito” difícil a obtenção de dados biográficos, históricos e maçônicos referentes a sua pessoa.

Na Wikipédia, por exemplo, as informações se resumem a dois míseros parágrafos, um que afirma que Anderson era um Mestre Maçom de uma loja maçônica, e um Grande Oficial da Loja de Londres em Westminster. Em setembro de 1721 a Grande Loja encomendou-lhe uma história de maçons, que foi publicada em 1723 como a Constituição dos Maçons Livres. O nome de Anderson não aparece na folha de rosto do livro, mas sua autoria está declarada em um apêndice. Em no outro parágrafo, que “A Constituição foi também editada e reproduzida por Benjamin Franklin na Filadélfia em 1734, sendo o primeiro livro maçônico impresso na América. Uma segunda edição de Londres, expandida, surgiu em 1738. Essa obra foi traduzida em diversas línguas, incluindo holandês (1736), alemão (1741) e francês (1745). E nada mais.

Um relato pouco conhecido dos maçons é apresentado por Kennyo Ismail, e muito antes, por Kurt Prober:

“A autorização da impressão e venda da Constituição criou uma crise dentro da Grande Loja e desde então Anderson se manteve afastado da Maçonaria. Esse afastamento durou cerca de 10 anos, quando em 24/02/1735 Anderson solicitou autorização para apresentar uma edição aumentada da Constituição, a qual foi aprovada em 25/01/1738 em uma sessão com 56 Lojas representadas” (ISMAIL[iii]).

Embora pareça comprovado que a separação da Maçonaria Operativa da Maçonaria Especulativa tenha ocorrido na Inglaterra, e que foi dessa separação bem localizada que adveio a elaboração e a evolução autônoma da franco-maçonaria especulativa, torna-se difícil precisar-lhe as razões (TOURRET, 1975:18), e mais difícil, ainda, parece-nos ser, explicar as razões pelas quais dois pastores, o anglicano James Anderson e o presbiteriano J. T. Désaguiliers estivessem colocados à frente do processo de transição, assim como é de se estranhar as razões pelas quais informações fidedignas sobre suas biografias e aspectos sociais e de suas atividades maçônicas permaneçam nas sombras ou guardados a sete segredos.

A transição da Maçonaria Manual para Especulativa a partir da federação de quatro lojas e a edição do Livro das Constituições de Anderson, ainda hoje se apresenta com jogo de quebra-cabeça a desafiar intelligentsias, mostrando-se ser carecedora de análise histórica amiúdes, apontamentos biográficos fidedignos e edição de registro escritos que esclareçam de forma absoluta e definitiva, se Anderson seria ou não Iniciado na Maçonaria; se seria ou não um Mestre Maçom; se estava ou não habilitado para efetivar as alterações que afastaram as instruções e ensinamentos técnicos do ofício da arte de construir e a introdução de alusões éticas e morais em substituição; e, ainda, que explique o ato de fé que resultou na incineração de documentos maçônicos preexistentes; a campanha odiosa e detratora contra Sir Christopher Wren, ou mesmo, que esclareça a utilização pelos maçons antigos (Operativos) da expressão “Andersonry”, depreciativa à época. Como se vê, a neo-maçonaria deve explicações aos maçons sobre o seu afastamento das antigas lojas operativas e o estabelecimento da Maçonaria Moderna ou Especulativa.

James Anderson faleceu em 1739e foi sepultado no cemitério de BunhillsFields. O jornal The Daily Post, que circulou em 2 de junho de 1739, relata que o seu funeral decorreu de forma ritualística e que entre os presentes Désaguliers era um dos quatros irmãos que seguravam as fitas do caixão, que foi depositado em cova anormalmente profunda. A nota do The Daily Post dizia:

“Ontem à noite, foi enterrado em uma cova anormalmente profunda, o corpo do Dr. Anderson, pastor não-conformista. [...] ele foi seguido por uma dúzia de maçons que cercaram a sepultura. [...] Os irmãos, exibindo grande tristeza, levantaram as mãos, sinalizaram e golpearam três vezes os seus aventais em honra do falecido” (CHASSAGNARD).

O nome do Pastor Anderson somente é apresentado aos maçons quando se exige destes, mediante juramento, o dever ou obrigação em sujeitar-se, conscientemente, à Constituição que carrega o seu nome. Nos Rituais de Iniciação do Primeiro Grau adotados presentemente pelo Grande Oriente do Brasil e nos atuais Rituais utilizados pela Confederação Maçônica do Brasil, a citação juramenta inexiste, e afora a referência ao nome de Anderson associado às suas Constituições, não há qualquer outra citação ao Mestre James Anderson nos ensinamentos ritualísticos maçônicos.

            Para finalizar, reproduzo as sábias palavras de Kurt Prober: despareceu assim o Maçom que mais serviços prestou à Ordem, que em vida nunca mereceu o menor apoio, prestígio e agradecimento, e que pelo contrário foi atrozmente combatido, mas que acabou sendo o único, cujo nome nunca foi e nem será esquecido.


[i]PROBER, Kurt, in Constituições Maçônicas e James Anderson, texto postado por Alan Mitnick (18/04/2014), acesso em   http://aprendizmacon.blogspot.com/2014/04/constituicoes-maconicas-e-james-anderson.html

[ii]CHASSAGNARD, Guy. in MiscellaneaMacionica: Quem foi, na verdade, o Reverendo e Maçom James Anderson?, acesso em https://bibliot3ca.com/quem-foi-na-verdade-o-reverendo-e-macom-james-anderson/. Contato: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

[iii] ISMAIL, Kennyo, in Maçons que mudaram a maçonaria: James Anderson, acesso em https://www.noesquadro.com.br/macons/macons-que-mudaram-a-maconaria/macons-que-mudaram-maconaria-james/ Acesso em 16/08/2018.

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