UM GÊNIO CHAMADO ALEIJADINHO

Por Luiz Gonzaga da Rocha


O Aleijadinho de Vila Rica

A figura do ALEIJADINHO é, inda, muito pouco conhecida, mesmo entre nós brasileiros. Poucos conhecem a vida e a obra desse magistral artista. Na Europa, quase ninguém o conhece e, mesmo nos livros sobre artes, não se encontra o nome de Antônio Francisco Lisboa, ou se acaso conste neles, os dados a seu respeito são, a maioria das vezes, equivocados. 

O Mestre Antônio Francisco Lisboa, o grande artista de Vila Rica, viveu a idade do ouro da capitania, assistiu ao seu apogeu e ao declínio da mineração. Vila Rica não tinha esse nome à toa.  Mais do que a grande cidade de Minas, era o lugar para o qual convergia todo o ouro extraído nas Gerais. Tinha bom comércio, clero culto, doutores estudados na Europa, poetas e músicos. Era o centro econômico e intelectual da Colônia. Enquanto o Aleijadinho esculpa suas obras-primas, poetas como Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto, encantava com seus versos, e Tiradentes desempenhava o seu papel de inconfidente. Conviveu, ainda, com duas figuras lendárias e quase mitológicas das Minas Gerais: Chica da Silva e Chico Rei.

Em meio a grandes pintores (como Manoel da Costa Ataíde – o Mestre Ataíde), poetas, políticos e escultores. Seus mestres foram Manuel Francisco Lisboa (Pai), Antônio Francisco Pombal (Tio), Francisco Xavier de Brito e João Gomes Batista. O Mestre Aleijadinho rivalizava com o pai na arquitetura: enquanto a Ordem Terceira do Carmo aprovava o projeto do pai para a sua Igreja, a Ordem Terceira de São Francisco aceitava o do filho para a Igreja de São Francisco de Penitência. As duas obras surgiram igualmente magníficas. 

O Gênio Revelado

Até os 39 anos, Antônio Francisco Lisboa viveu com saúde, gostava da boa mesa e era dado às danças e às mulheres. Em 1777, quando os primeiros sintomas da doença que lhe deu o nome começaram a se manifestar. Ouro Preto já contava em seu seio com algumas primorosas obras-primas tributadas ao cinzel do Aleijadinho. A doença que o martirizou até a morte e, ao mesmo tempo, que lhe consumia o corpo e envenenavam-lhe o temperamento, não apagava o gênio que semeava obras de arte. E dois gênios diferentes disputaram o seu espírito: o de arquiteto e o de escultor.

A perícia do Aleijadinho era indescritível. Mesmo sem os dedos das mãos e ajoelhado, trabalhando escondido sob uma tenda ou vestido sob um grosso manto que lhe encobria as deformidades e as chagas do corpo, trabalhado a noite e com pouca luminosidade. Teria algum escultor trabalhador assim? Miguel  ngelo era forte e sadio quando esculpiu os seus profetas. O Moisés de Miguel  ngelo é um gigante, forte e vigoroso, transbordando energia e força. Os Profetas do Aleijadinho parecem só s manterem pela força do espírito que os esculpiu e isto faz a grande diferença entre os dois gênios. As imagens do Aleijadinho possuem, além de uma intenção artística, a piedade cristã. São, a um só tempo, obras de arte e devoção.

O Aleijadinho começou esculpindo a madeira, daí os púlpitos, portas, pias batismais, altares e pequenas esculturas (geralmente santos e anjos gorduchos e sorridentes). Foi com esta matéria-prima que criou a extraordinária série dos “Passos da Paixão” (A Ceia, o Monte das Oliveiras, a Prisão de Cristo, a Flagelação, o Coroamento de Espinhos, Jesus Carregando a Cruz e a Crucificação), ao todo, são sessenta e seis imagens de madeira esculpidas entre os anos de 1796 e 1799. Troca a madeira pela pedra-sabão para esculpir “Os Doze Profetas” que repartem entre si o espaço externo do Santuário de Bom Jesus de Motosinhos. Essa obra tomou um aspecto diferente de toda a obra do Grande Mestre, e isto nota-se nas atitudes dos profetas, nas mãos e nos traços do rosto. Não são anjos, nem arcanjos, nem santos. São homens. Criaturas humanas, homens sofredores, martirizados, dilacerados pelas paixões, homens mergulhados em oração ou suplicando aos céus ou profetas conscientes d sua missão de monitoramento dos homens da época. Homens ou Profetas, parecem expressar um protesto – talvez contra a repressão que caiu sobre os Inconfidentes e o povo de Minas – e um testemunho de quem nem tudo se acaba com a morte, mas nem por isso podem ser fortificados pela promessa de que se sentarão, depois de mortos, à direita do Salvador. 

Os últimos anos do Gênio

Nos últimos anos de sua vida, o Aleijadinho pouco trabalhou. Deitado sobre um estrado feito de tábuas passou dois anos inteiros sem sair do leito, sempre a ler a Bíblia e a alterar momentos de lucidez com as dores e as chagas que lhe consumiam o corpo. Finalmente, a 18 de novembro de 1814 desencarnou. Seu corpo acha-se sepultado da Matriz de Antônio Dias, próximo ao altar de Nossa Senhora da Boa Morte.

Em honra a Antônio Francisco Lisboa, o grande poeta mineiro – Carlos Drummond de Andrade – escreveu: “...Esse multo de gênio lavrou na pedra-sabão todos os nossos pecados, as nossas luxúrias todas, e esse tropel de desejos, essa ânsia de ir para o céu e de pecar mais na Terra; esse mulato de gênio subiu nas asas da fama, teve dinheiro, mulher, escravo, comida farta, teve também escorbuto e morreu sem consolação...”. ao Aleijadinho, a A.R.L.S Antônio Francisco Lisboa nº 24, jurisdicionada da M.R.G.L.M.B., presta uma homenagem imorredoura ao maior gênio mineiro.

 

Post scriptum

Na segunda metade do ano de 2006, a ARLS Antônio Francisco Lisboa transladou-se para o Grande Oriente do Distrito Federal (GOB) passando a ostentar o nº 3.793. Por ocasião desse nosso escrito original, embora tenhamos relacionados os dois nomes, desconhecíamos as profundas relações espirituais havidas entre o gênio italiano da arte Micheangelo Buonarroti e o gênio mineiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Hoje, contudo, sabemos (e advogamos) que se trata de um mesmo gênio atuando em estágios de vidas diferentes. E para aguçar a curiosidade a alguns e o espanto a outros, a professora Marilei Moreira Vasconcelos em sua obra espírita “Aleijadinho Iconografia Maçônica”, informa que Aleijadinho iniciou-se na Loja Maçônica Vida Eterna em Tejuco, Diamantina atualmente, quando ainda os sinais de sua moléstia ainda não se tinha manifestado e que no Museu do Diamante, encontramos sinais de sua passagem, num S. José de Botas da antiga Matriz e no forro da antiga Igreja, feita por Atayde que, também sendo maçom, utilizava as cores da Maçonaria em suas pinturas: o azul, o vermelho e o branco, símbolos respectivos da Bondade, Inteligência e Poder, ou seja, Fraternidade, Igualdade, Liberdade.


Luiz Gonzaga Rocha - 33, Membro Efetivo e Fundador da ARLS Antônio Francisco Lisboa nº 24 (hoje nº 3793), Benemérita da Ordem, fundada em 21 de junho de 1985. O Presente artigo foi publicado no Jornal “O Aleijadinho” nº 08, que circulou em julho/ato de 1997.
Marcadores: #Maçonaria. #História. #Aleijadinho #Brasília #Brasil
Postagem: www.unidosporbrasilia.com.br/aleijadinho - 07/01/2020.

 

 

 

 

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