TRIBUTO À SALDANHA MARINHO

Por Luiz Gonzaga da Rocha

Tributo a saldanha Marinho

Proêmio

Pernambuco. Olinda. 1816. Oh! Ano horrível para a Província de Pernambuco! Nuvens carregadas pairavam sobre a Nação e em Pernambuco se anunciava um forte temporal. Em meio a este cenário sombrio, nasceu em Olinda, no dia 04 de maio de 1816, o menino Joaquim Saldanha Marinho, filho do Capitão de Artilharia Pantaleão Ferreira dos Santos e Ágata Joaquim Saldanha. No primeiro ano de vida perdeu o pai, uma das primeiras vítimas da Revolução que irrompeu em Pernambuco com o nome glorioso de Revolução Pernambucana de 1817. Pobre e órfão para avaliar a imensa perda que acabara de sofrer, e como se quisesse a Divina Providencia gravar outros desígnios na mente da criança que não pudera ainda compreender os graves acontecimentos de 1817, oportunizou-lhe, na idade de oito anos, vivenciar novas lutas sanguinolentas na Província. Contudo, a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador em 1824 foram como escola primária, em política, para o futuro cidadão, político, advogado e maçom brasileiro.

Insondáveis mistérios dessa entidade que uns chamam Destino e outros, Providência Divina! O menino Joaquim Saldanha Marinho tornar-se-ia o paladino das liberdades civis e religiosas no Brasil, e tão glorioso papel representaria em ambos os campos dessa peleja eterna, que sob o duplo nome de política e religião, perdurava entre os povos através de tantos séculos. Saldanha Marinho, o Ganganelli, como se tornaria conhecido no cenário nacional, foi o grande lidador do parlamento e da imprensa, outra dupla arena das grandiosas lutas da humanidade pela liberdade. Testemunha ocular na aurora da infância de um movimento político de grandes dimensões e na adolescência de outro, talvez por isso, os acontecimentos políticos de 1848 a 1895, dentre as quais lista-se a famosa Questão Religiosa, a Questão Abolicionista e a Questão Republicana tenham encontrado nele um homem de ferro no sentido exato da palavra.

A Escalada Humana

Aluno da Faculdade de Direito de Olinda, tomou o grau de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 15 de novembro de 1836, quando contava com apenas vinte anos de idade. No ano seguinte transferiu-se para a cidade de Icó, no Ceará, para exercer o cargo de Promotor Público, e logo em seguida transferiu-se para a Capital da Província para exercer o mesmo cargo de Promotor Público em conjunto com o de Inspetor de Tesouraria, e no mesmo ano de 1837, por concurso, tornou-se lente [professor] de Geometria no Lyceu Cearense. Em 1848 foi eleito pela Província Deputado à Assembléia Geral, transferindo-se para a Capital do Império para tomar posse nos trabalhos legislativos de 1849, mas por conta da dissolução das Câmaras naquele ano, por dois anos ficou afastado das metas políticas, transferindo-se para Valença, onde se entregou à profissão de advogado. Em Valença foi eleito Presidente da Câmara Municipal e por dez anos permaneceu na cidade. Eleito por duas vezes Representante Provincial pelo Rio de Janeiro, não tomou posse, preferindo continuar como advogado militante. Em 1860 estava de volta à Capital do Império onde se estabeleceu como advogado e por seus conhecimentos, logo se tornou um dos primeiros juristas da Corte.

Por essa mesma época tomou posse da gerência [como co-proprietário] e na direção intelectual [como redator chefe] do jornal Diário do Rio de Janeiro. Elegeu-se Deputado Geral pela Província do Rio de Janeiro na mesma eleição que também elegeu Theophilo Ottoni e Francisco Octaviano, e em 1861 estava de volta à lide política, até que se dissolveram as Câmaras em 1863. Nesse mesmo ano Saldanha Marinho voltou a ser eleito e exerceu seu mandato no quatriênio de 1863-1865, ocupando dignamente seu posto na Câmara Federal. O Governo Imperial ofereceu à Ele a Presidência da Província de Minas Gerais e, em 18 de dezembro de 1865, perante a Assembléia Legislativa Provincial, prestou juramento e tomou posse. Deixou o cargo em 30 de junho de 1867. O Governo Imperial atendendo recomendação da Província de Pernambuco confiou-lhe outra missão: governar a Província de São Paulo. À frente da Província Paulista [1867-1868] promoveu uma reforma completa no sistema administrativo de obras públicas, bases sobre as quais mais tarde veio assentar a reforma da instrução pública. Deixando a Província de São Paulo para tomar assento na Câmara dos Deputados, Saldanha Marinho combateu franco e lealmente as falanges do Partido Liberal, mas com a dissolução do parlamento, ante o golpe de estado de 16 de junho de 1867, disse adeus à tribuna e à política, voltando aos labores da advocacia.

Por duas vezes a Província de Pernambuco, sua terra natal, e por uma vez a do Ceará, o incluiu na lista tríplice para o Senado, a última vez, em 1867, e foi por esta Província escolhido por S. M. o Imperador, mas não tendo o Senado reconhecido nem aprovado a eleição, Saldanha Marinho foi esbulhado da cadeira vitalícia que com toda a justiça lhe fora dada pelo povo cearense e sancionada por S. M. o Imperador. Saldanha Marinho teve destacada atuação na Questão Religiosa na década de 1870, quando publicou vários artigos em jornais com o pseudônimo de Ganganelli. Com a Proclamação da República Brasileira, foi um dos autores do anteprojeto da Constituição de 1891, e, em que pese o seu adeus político, retornou ao Senado da República pelo Distrito Federal da 21ª a 23ª Legislaturas, ou seja, nas legislaturas de 1890 a 1895, quando ocorreu o seu transpasse, no Rio de Janeiro, a 27 de maio de 1895. Mas o seu nome, contudo, ficou registrado junto à Companhia Paulista de Estradas de Ferro; na inauguração da navegação a vapor no Rio São Francisco, quando o vapor Saldanha Marinho venceu os mil quilômetros de extensão navegável; junto aos Jornais Diário do Rio de Janeiro; Jornal do Commércio; Gazeta do Rio de Janeiro e O País; no Manifesto Republicano de 1870; nos livros de que foi autor; na Maçonaria Brasileira, como veremos a seguir, e na cidade do Rio Grande Sul a quem empresta seu nome.

As obras de Saldanha Marinho

A Igreja e o Estado [1873-1876] foi o título, ou antes, a bandeira que o insigne campeão arvorou, lavrando-se nele o mote Caveante Consules. Obra em quatro volumes, escrita e publicada sob o pseudônimo de Ganganelli, e com esse nome de guerra empreendeu a gloriosa cruzada contra a Igreja e o Estado. Outras obras de sua autoria: Direito Comercial [1869]; O Rei e o Partido Liberal [1869]; O Governo e os Bispos [1874] e A Monarquia e a Política do Rei [1884]. Os seus artigos publicados com o pseudônimo de Ganganelli, procurados com avidez admirável durante a questão religiosa, viraram capitulos de livros. Principais artigos: Os Actos do Papado; Decadência do Papado; Propaganda Episcopal; O Assalto de Macapá e o Ultramontanismo; O Governos e os Bispos; O Confessionário; O Arcebispo da Bahia; Julgamento do Bispo de Pernambuco; A Execução da Sentença do Bispo de Olinda [1884]; O Elemento Servil; O Partido Liberal [1885]. Principais Discursos: Discurso proferido na abertura dos trabalhos da Assembléia Geral do Povo Maçônico Brasileiro, em 27 de Abril de 1872; Discurso proferido por ocasião da posse das Administrações das Lojas: Confraternidade Beneficente e Ceres, em 20 de maio de 1876, na cidade de Cantagalo; A questão religiosa no Brasil, um eloquente discurso proferido na Câmara dos Deputados, em 16/07/1880. E, em especial, o Manifesto que ao povo maçônico do Brasil, e todos os Maçons em geral, dirigiu o Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos, proferido no dia 24 de fevereiro de 1864; Discurso proferido na sessão de posse da primeira admissão da A∴ E R∴ Off∴ Fernão Valle de Valença, em 14 de agosto de 1865. Discursos proferidos por ocasião das posses dos Ddg∴ Off∴ Das Off: em ascensão ao Vale dos Beneditinos e Instituição das Sociedades Libertadoras [pelas Senhoras] e Protetora dos Libertos, aos 26 de março e 2 de abril de 1870. E ficamos por aqui.

A Escalada Maçônica

Gostaríamos de iniciar este ponto pelo princípio, apontando data de iniciação, loja e a escalada maçônica atribuída ao Grão-Mestre Saldanha Marinho, assim como gostaríamos de narrar inúmeros outros fatos antecedentes e procedentes aos que julgamos pertinentes e dignos aos interesses maçônicos. Quanto ao primeiro desejo lamentamos, mas não o temos disponíveis e quanto ao segundo, este espaço não permite um relato completo, de modo que estamos tomando como referência um fato singular: a tentativa de unificação do Grande Oriente do Lavradio e do Grande Oriente dos Beneditinos, que resultou no Grande Oriente Unido do Brasil, ou seja, um fato impar no contexto da imensidão da Maçonaria na História do Brasil.

Os acontecimentos podem assim serem sintetizados: a 7 de agosto de 1863 procedeu-se a eleição para o Grão-Mestrado, concorreram Saldanha Marinho e J. M. da Silva Paranhos [Rio Branco]. O resultado foi que Saldanha Marinho obteve 182 votos contra 181 dados a Silva Paranhos, e Caxias que nem era candidato, obteve três votos. Como nenhum dos dois obteve maioria absoluta, nova eleição aconteceu no dia 14 do mesmo mês. Desta feita o Barão do Rio Branco obteve 165 votos contra apenas 14 votos em contrário. Não se conformando com esse resultado, um protesto oriundo do Vale dos Beneditinos, aceito pelo presidente dos trabalhos, tornou nula a eleição, sendo, então, marcada outra, para o dia 04 de setembro. Nesta nova eleição Saldanha Marinho obteve 220 votos contra 190 obtidos pelo Barão do Rio Branco. Deu-se então os fatos que não vem ao caso narrá-los, mas que trouxe como resultado o azedamento das relações entre as Potências, pois enquanto Saldanha Marinho expulsava os simpatizantes do Lavradio, este proibia a intervisitação. Desta forma, Rio Branco continuava a dirigir o Lavradio e Saldanha Marinho o Vale dos Beneditinos, agora com o nome de Grande Oriente Unido, apesar da união não ter se concretizado.

Por ocasião da sua posse no Grão-Mestrado do Grande Oriente Unido, em 24 de fevereiro de 1864, o Manifesto lido, mais que um discurso, valeria a pena ser transcrito aqui, se não fosse o curto espaço de que dispomos nesta oportunidade. Em suas palavras: “Não se trata já da simples maçonaria das fórmulas; não se trata dos nossos rituais; não se trata já da simples celebração de mistérios, há tantos séculos guardados como uma tradição; não se trata de simples festas, nem nos contentamos já somente com os aplausos que os rituais ensinam. É preciso erguer mais alto as vossas vistas, a civilização progride e a maçonaria não será uma inutilidade ridícula em si se conservando estacionaria. O vagão, que conduz o homem ao desconhecido e que contribui eficazmente para aperfeiçoá-lo e engrandecê-lo, posso compará-lo por esse momento à maçonaria, que deve pelo mesmo modo conduzir o gênero humano na marcha de sua ilustração e engrandecimento. Conservar a Maçonaria, pois, no letargo em que tem jazido há tanto tempo no Brasil, não será simplesmente uma inércia, será também um crime. Temos inimigos ousados e valentes a combater”. E concluiu seu longo discurso dizendo: “Concorram os maçons ilustrados para a propagação das luzes, dirigindo-o em toda a sua plenitude [...] Escolha-se rigorosamente quem deva fazer parte da nossa Ordem. Expurgue-se a Maçonaria das fezes que a empeçonhou. Seja-se exato no cumprimento dos deveres de homem e de maçom. Que esta grande obra seja vossa...”. Exerceu o cargo de Grão-Mestre de 1864 a 1883 e o de Soberano Grande Comendador de 1872 a 1883.

No final de 1882 começava a terminar mais essa cisão na Maçonaria Brasileira, com a fusão das duas Obediências em que se dividira em 1863. Saldanha Marinho, doente e cansado, vendo o esvaziamento de suas Lojas e sem poder comandar, convenientemente, o seu Grande Oriente Unido, pediu demissão do seu cargo a 30 de março de 1882, incentivando, inclusive, a fusão. Desta maneira, a 18 de dezembro deixou de existir o Grande Oriente Unido [Oriente dos Beneditinos], oficializando-se a fusão trinta dias depois, ou seja, a 18 de janeiro de 1883 passou a existir uma Obediência única, sob o título original de Grande Oriente do Brasil, com o seu Supremo Conselho. E esse fato ficou devidamente registrado no Boletim do Grande Oriente do Brasil, no número correspondente a dezembro de 1882 e publicado em janeiro de 1883, onde também ficaram registradas as seguintes palavras de Saldanha Marinho: “Sob∴ Gr∴ M∴, a verdadeira união da família maçom∴ do Brasil deve começar pela disciplina, Mac∴ deste círculo, reconheço e respeito a autoridade do meu Gr∴ M∴ e entrego vós, pois, o malhete do Grão Mestrado da Ordem”.

Contributivo ao Tributo

Por tudo que foi dito e pelo muito que deixou de ser citado ou escrito, percebe-se que o Grão-Mestre Joaquim Saldanha Marinho mais queTRIBUTO À SALDANHA MARINHO1 um homem político, advogado, professor, jornalista, escritor e livre pensador, foi um ser perfeitamente identificado com a Maçonaria, com o seu histórico de lutas e de ensinamentos éticos moralizantes. As suas palavras continuam atualizadas e estão a nos indicar que a Maçonaria desde àqueles tempos que consagramos como gloriosos, no entender do Grande Saldanha Marinho, já se encontravam estagnado, o que era um crime mais que simples inércia, e que muito mais poderia ter a ofertar à Nação Brasileira. Saldanha Marinho, então, no seu discurso, chamava atenção para a atuação dos maçons no serviço da propagação das luzes; pedia para escolher bem os candidatos à iniciação na Ordem; rogava para que se expurgassem as fezes [maus maçons, assim penso eu] que empeçonhava já naquele tempo a Ordem; e apontava que essa seria a nossa grande obra, e da qual tanto nos descuidamos. E aqui faço eco às palavras do Irmão Mário Mayerte, editor-chefe da Revista “O Prumo”, quando disse que “a responsabilidade pessoal do maçom reflete-se na responsabilidade da instituição como um todo, com a particularidade de quem em ambos encontramos um ponto em comum: o dever do indivíduo, e da própria instituição, de assumir as conseqüências por seus atos e decisões” [Revista no 178, Editorial].

A Questão Religiosa, que teve início em 1872, pôs termo às tranqüilas relações que mantiveram a Igreja e a Maçonaria durante o reinado de D. Pedro I e II, colocando em lados opostos a igreja e o Império do Brasil, e no centro a Maçonaria e o jovem bispo de Olinda, Dom Vital de Oliveira, de apenas 27 anos de idade, mas “na luta em que se chocaram o mar encapelado da Igreja e o inabalável rochedo imperial, foi reservado aos maçons o simples papel de mariscos” [Aslan, 1975], e o pernambucano Saldanha Marinho apareceu como o guia dos mariscos. E a Maçonaria dividida, não quanto à Questão Religiosa, mas em respeito a si mesma, coube a Saldanha Marinho conduzir o processo e assumir papel destacado na luta para a separação da Igreja e do Estado, chamando para si a tarefa de combater “por meios morais” e restringir o poder da Igreja de Roma de modo a forçá-la a permanecer dentro dos limites da sua esfera espiritual; jurando para si, promover, pela propaganda, a separação da Igreja e do Estado, desfazendo assim “o consórcio híbrido entre o Trono e o Altar”, a fim de estabelecer a “liberdade humana” no Brasil, por entender que a Maçonaria não podia permanecer indiferente aos interesses que de tão forte lhe tocava: a promoção do bem estar geral da humanidade pelo aperfeiçoamento dos costumes.

Esse é o maçom que quero homenagear nestas linhas, por simples lembrança pelo transcurso do seu bicentenário aniversário de nascimento [04/05/1816] e de transição [27/05/1895], ocorridos no mês de maio de 2019, ao me deparar com o seu pensamento vivo [e bem vivo] entre as inúmeras obras que ornamentam as estantes do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, notadamente, após ter em minhas mãos uma das edições do seu livro “A Igreja e o Estado”. Obra essa que a Maçonaria bem poderia mandar reeditar para honra e glória do seu nome e ilustração das colunas humanas que ocupam os seus Templos presentemente. Queiram-me Bem. [Artigo escrito, originalmente em Recife, a 28 de maio de 2008].


Obras Consultadas:

A. de U. Saldanha Marinho – Esboço Biográfico, Rio de Janeiro, Dias da Silva Junior, 1878.
Castellani, José. História do Grande Oriente do Brasil, Brasília, GOB,1993.
Ganganelli. A Igreja e o Estado, Rio de Janeiro, 4a Ed. Typ. Perseverança, 1876.
Aslan, Nicola. Comentários ao Ritual de Aprendiz, Rio de Janeiro, Ed. Maçônica, 1975.
http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_biografi. 

 

Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga Rocha – MM.33, Membro Efetivo e Fundador da ARLS Antônio Francisco Lisboa nº 3793, Presidente da Associação das Academias Brasileira Maçônicas de Letras (AABML) – Membro da ARLS Antônio Francisco Lisboa nº 3.793 - Oriente de Brasília/DF. Membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal, da Loja de Pesquisas do Grande Oriente do Distrito Federal, e da Academia Taguatinguense de Letras.
Marcadores: #Maçonaria. #Joaquim Saldanha Marinho #História #Aleijadinho #Brasília #Brasil
Postagem: www.unidosporbrasilia.com.br/aprendiz - 03/06/2019.

 

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